5 razões porque Mourinho perdeu o encanto


Apesar de ainda ser um cavalheiro que hipnotisa o espetador, já não o consegue tão facilmente com os seus jogadores. O Chelsea teve um arranque pobre e, apesar de ainda haver tempo para corrigir a trajetória, Mourinho não parece muito preocupado com isso.

Tornou-se num homem que deixa o futebol fluir através dele, quando no passado empenhava-se em manobrar o desporto a fim de atingir os seus propósitos. Parece que pouco se importa com o que se passa.

É perturbante: está de regresso ao clube onde cimentou a sua reputação, e está ser pago principescamente para o treinar, mas agora parece que nem se preocupa com ganhar. Eis algumas razãos para esta situação:


5. Não pode fazer bullying ao Liverpool

Somos todos humanos. Gostamos todos de fazer pouco do Liverpool. Quando esteve no Chelsea da primeira vez, parecia que o Liverpool poderia lutar pelo título de forma acidental. Hoje, não só Brendan Rodgers é um treinador incompetente como também é amigo de Mourinho. Se não se pode gozar do Liverpool, de que serve viver?


4. Não há adversários à sua altura

No passado, o português enfrentou Alex Fergusson na sua primeira época e ganhou, mas não se envolveu em disputas com ele a sério, pois ambicionava herdar o emprego do escocês mais tarde. Mourinho conseguiu destruir Rafa Benitez, expondo a sua obcessão por controlar tudo, e mais tarde juntou-se ao seu amigo Fergie para destruir o que restava da dignidade de Arséne Wenger, levando a que o francês se defenda com crescentes quantidades de tiradas absurdas sobre convicção filosófica. Mas agora, quem é que sobra para irritar?

Temos David Moyes, que é inexperiente nestas andanças. Nem vale a pena hostilizar o treinador dos Reds, pois já tem um emprego demasiado complicado. Com o Ashley Young no plantel e com a multidão do Old Trafford prestes a rebentar sobre a sua cabeça, não vale a pena gastar energia nisso.

De igual forma, o Manchester City não parece convencer ninguém da sua capacidade de chegar ao título, apesar do belo plantel que possui. O treinador, Manuel Pelligrini, ainda não fez nada de notável. Estes opositores ainda não estão ao nível do 'Special One'. Wenger pode ter-se tornado um joker com a aquisição de Mesut Ozil, mas não passa de uma possibilidade. E continua a usar Olivier Giroud como principal avançado.

Mourinho até pode não vencer a Liga, mas não há um grande adversário digno da sua atenção. Está tão aborrecido que se dá ao trabalho de irritar a imprensa, e os intelectuais da bola, excluíndo Juan Mata - o melhor jogador do Chelsea - do plantel. É uma birra bem engraçada, mas não se compara ao que fez na década passada.


3. Está ultrapassado

Hoje, Mourinho é um treinador à moda antiga. Ele já foi o futuro dos treinadores. Quando chegou ao Chelsea, trouxe um estilo de jogo brutal, exigente e ocasionamente emocionante.

No Inter não teve dificuldade em vencer o campeonato italiano, mas na Europa aperfeiçoou o anti-jogo e o contra-ataque. Fê-lo tão bem que, com a ajuda de uma enorme nuvem de cinza vulcânica, venceu o Barcelona a caminho de mais um título na Liga dos Campeões.

No Real Madrid foi do anti-jogo para o puro e simples antagonismo, com Ronaldo à mistura. Foi o suficiente para um título na La Liga, mas nos outros anos ficou aquém do Barcelona.

O poder físico foi importante, mas a velocidade e a técnica são os métodos mais eficientes. Raramente Mourinho teve estes argumentos a seu favor. Se assim fosse, Juan Mata estaria a jogar. As fragilidades do treinador português estão à vista. É demasiado inteligente para não mudar de filosofia, mas isso não significa que consiga regressar ao topo.

2. Ele não queria o cargo no Chelsea

O modus operandi de Mourinho é o da "terra queimada". É uma excelente estratégia na maioria das situações, mas não quando se trata de trabalho remunerado. Na primeira passagem pelo Chelsea conseguiu irritar a maioria dos adeptos, assim como muita gente na impressa e na gestão do diversos clubes. Mostrou que tem um feitio complicado.

No Real Madrid, foi mais do mesmo... mas com mais intensidade. Atacou Sérgio Ramos e o capitão Iker Casillas, pôs em questão os atacantes e os seus dirigentes , tudo como estratégia para obter mais dinheiro para transferências. Está agora a fazer o mesmo a David Luiz e a Mata. Não admira que nem todos os dirigentes do Man United estivessem empolgados com a sua nomeação para treinador da equipa.

É óbvio que a sua falsa boa atitude, quando eliminou o United com o Real na última Liga dos Campeões, é indicadora de que estava muito interessado no cargo de Fergusson. E é óbvio que agora, ao não ter atingido aquele objetivo por via das suas atitudes ao longo da carreira, que esteja imerso numa interminável birra. 

 

1. A passagem do tempo mostra a futilidade das atitudes mesquinhas

Esta razão não requer muitas explicações. Talvez ex-treinador do FC Porto se tenha apercebido que somos todos reles mortais e que o legado que vai deixar não lhe dá qualquer conforto existencial. Ou é por isto, ou é porque não consegue contratar aquele avançado que quer. É 50-50, com Mourinho nunca se sabe.

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