Um Campeonato do Mundo de inverno é a única hipótese para o Qatar



A decisão de disputar o Mundial de 2022 no Qatar é loucura. Claro que é.

O futebol é um desporto global e o seu crescimento deve ser estimulado em todos os cantos do mundo. Mas obrigar os jogadores e os adeptos a suportarem temperaturas acima dos 40 graus não só é descabido, é perigoso. E não precisamos que seja Sepp Blatter a dizer-nos isso.

Se já visitou o Médio Oriente, sabe que é normal procurar um quarto fresco com ar condicionado ou uma piscina com água gelada para escapar ao implacável sol. Ter que correr, saltar ou fazer carrinhos com tais temperaturas é impensável.

O que será que passou pela mente dos dirigentes da FIFA para atribuir um dos mais importantes e cobiçados eventos do mundo a um país rico em petróleo como o Qatar? Vamos continuar sem saber, mas a FIFA fez a cama e agora vai ter que se deitar nela.

As afirmações de Blatter feitas esta semana de que a competição deve ter lugar no inverno fazem, apesar de estarem dois anos atrasadas e roçar o óbvio, mais sentido que colocar em risco a saúde dos atletas e dos adeptos ao disputar o Mundial na altura habitual. A noção de que é impossível pôr o país inteiro sob ar condicionado provavelmente ajudaram Blatter a chegar a esta conclusão, mas disputar o Mundial no inverno será sempre o mal menor.

O Campeonato do Mundo tem a sua parte de festa nas ruas, tal como é uma festa nos estádios, e apesar de ser agradável imaginar as multidões de adeptos que se reúnam na Europa e América do Norte para assistir aos jogos com as botas de neve calçadas, aqui o mais importante é a segurança do púbico.

Por parte dos organizadores no Qatar foi prometido que seriam construídos estádios um pouco por todo o seu território (mais pequeno que o estado do Conneticut, já agora) que estariam completamente sob ar condicionado e acho que deveriam ser obrigados a cumprir o que prometeram. Mas o senso comum dita que obrigar os adeptos a se movimentarem em tais temperaturas não é uma boa ideia. Podemos estar gratos por a FIFA ter chegado a essa conclusão.

Não acredito que todos estejam de acordo com um torneio jogado durante o inverno. Enquanto as ligas no hemisfério sul são rotineiramente forçadas a interromper a época para se jogar o Mundial, a FIFA nunca teve que enfrentar os interesses financeiros que se impõem nas principais ligas, que podem ficar com até três épocas afectadas por esta mudança. Podemos suspeitar que os Manchester United e os Real Madrid deste mundo poderão ter algo a dizer sobre esse eventual mudança.

A FIFA fez borrada com o Mundial com uma década de antecedência - um recorde até para esta instituição - mas o campeonato terá que ser jogado eventualmente. Para que este espectáculo único tenha lugar sem que alguém precise de cuidados médicos, terá que decorrer no inverno.

Pode ter demorado a Blatter e companhia quase dois anos para se aperceber disso, mas um Mundial de inverno é a única forma desta situação se resolver e está na altura da Europa se preparar para isso.

Michael Da Silva é colunista da Unibet e pode acompanhar a sua coluna aqui.